quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A MONTANHA E O RIO 14º CAPÍTULO:

 
TAN
1979-BEIJING
 
Todos os meses, Miss Yu me entregava um envelope na escola que continha o último número de Início de Primavera, a revista mensal do seu grupo, que eu lia na privacidade do meu quarto. Os textos de Miss Yu eram poéticos e comoventes. Num dos números, ele defendeu a criação de uma editora que publicasse ensaios, textos teóricos e até mesmo de ficção para ampliar o leque de leitores da organização. Alguns meses mais tarde, foi publicado o primeiro romance, escrito pela própria Virgin, sobre uma moça que luta contra as restrições impostas às mulheres pela sociedade. Devorei o livro durante uma noite inteira sem conseguir dormir e chorei pela heroina. O romance logo causou grande sensação. Era comentado a boca pequena e distribuido em cópias feitas a mão.
Um dia, Miss Yu apareceu na sala de aula com olheiras escuras em torno dos olhos. Ela havia chorado. _O que houve? Perguntei, depois da aula. _Você ainda não sabe o que aconteceu? Perguntou ela em voz baixa, depois que todos os alunos tinham saído da sala. _A polícia derrubou o Muro da Democracia e o professor Ko está desaparecido. _O que pode ter acontecido a ele? _Deve ter sido sequestrado e assassinado secretamente. Havia uma raiva contida na sua voz. _Existe outra maneira melhor de o governo acabar com a nossa organização? _Sinto muito. _Não é culpa sua. Disse ela. Baixei os olhos. _Mas sinto como se fosse.
No dia seguinte, ficamos sentados na sala de aula sem a presença da nossa professora de inglês. Aguardamos durante muito tempo, até que o diretor entrou na sala para nos dizer que Miss Yu tinha sido detida e que não deveriamos esperar que ela retomasse suas atividades. Atordoado, saí da sala imediatamente e pedi ao meu motorista que me levasse ao escritório do meu pai no quartel-general do Exército, que ficava a poucas quadras da escola. Passei por várias fileiras de guardas armados, que acenaram e me deixaram passar sem nenhum impedimento. A placa docarro, de número cinco, dizia tudo. A do presidente Heng Tu tinha o número um. Arrastei papai para fora da sala de reuniões. _Filho, o que há de tão urgente assim que não possa esperar pelo fim da reunião? Indagou ele bruscamente, agora em seu gabinete. _Preciso de uma ordem sua por escrito para liberar Miss Yu imediatamente. _Meu filho, sinto lhe dizer que a coisa não é tão simples assim. _Mas é claro que é, papai! Ela só está sendo usada como bode expiatório. Ela é cidadã de Hong Kong e seus direitos ainda são protegidos pela lei internacional. Vocês não podem fazer nada com ela. _Deixe-me verificar com o Ministério da Segurança Pública. Papai caminhou em direção ao telefone. _Não, pai, não há tempo para isso. Estou lhe pedindo um favor. Libere-a e mande-a de volta para seu país de origem. Você pode proibi-la de retornar ao nosso país, mas não a maltrate de jeito nenhum. Ela é minha professora e minha amiga. E é sua amiga também papai. Temos que protegê-la. _Deixe-me pensar sobre isso hoje a noite. _Hoje a noite poderá ser tarde demais. Por favor, diga em que local ela está detida. Papai respirou fundo. _Ela está a caminho de Xinjiang. _A Sibéria chinesa? _Não há nada que eu possa fazer no momento. Foi uma ordem do próprio Heng Tu. _mas ele ouve o que você diz não é? Papai parecia confuso. _Você não está entendendo direito. _Estou muito decepcionado com você papai. Disse eu, com tristeza na voz e saí.
Pedi ao meu motorista que me levasse à Delegacia Central de Beijing. Falei com o próprio chefe de Polícia, mas ele também não podia liberá-la e me disse que a esta altura, o caminhão já deveria estar em Xibei. Só havia uma coisa a fazer.
Corri para casa e fui ao escritório de papai. Lá, numa gaveta, estava o carimbo de jade do oficial mais graduado das Forças Armadas. Usando o papel timbrado de papai, escrevi com muito cuidado e em seguida carimbei a carta com o selo oficial. Analisei rapidamente minha escrita. A letra poderia facilmente passar pela de papai, mesmo para olhos bem treinados, pois desde criança eu tinha me esmerado em imitar a sua caligrafia no estilo fluido e cursivo conhecido como "Cao". Saí em disparada para interceptar o caminhão militar na estrada para Xibei, a única que seguia na direção oeste. Passaram-se muitas horas até que minha limusine finalmente alcançou o caminhão empoeirado. Meu motorista deu uma guinada brusca  na frente do caminhão, forçando-o a parar no acostamento. Saltei do carro, tendo nas mãos uma ordem oficial do comandante-em-chefe. De início, fui ignorado pelos soldados. _ Vocês sabem quem eu sou? Gritei. E sabem o que tenho aqui nas mãos? Isso chamou a atenção deles. Eles analisaram o documento e em seguida o meu rosto. _Se não me entregarem esta prisioneira, vou fazer com que meu pai, o comandante-em-chefe, mande vocês  para a Corte Marcial. O motorista leu o papel. Reconhecendo o famoso carimbo, ele dobrou o documento, colocou-o no bolso e relutantemente, entregou-me a prisioneira. Miss Yu estava com um ar solene e pensativo. Não havia medo em seus olhos, embora ela estivesse com um aspecto mais envelhecido. Abracei-a, mas ela ficou como que congelada na minha presença. Rapidamente, insisti para que entrasse na limosine e levei-a para a estação ferroviária de onde partiam os trens para Cantão. De lá para Hong Kong, bastava atravessar uma ponte. Mas o trem só sairia dali a uma hora. A noite já tinha caido, Miss Yu estava chorando. Ela me pediu para dispensar o motorista por alguns minutos. No banco de trás, ela se despiu. Lentamente, tirou meu suéter e abriu o zíper da minha calça.
A princípio, aquilo me chocou, mas depois fiquei excitado. Seus seios eram firmes e fartos e sua pele tinha o toque da seda. Ela pôs seus mamilos na minha boca e eu os chupei avidamente. Meu coração pulava de desejo e meu sexo parecia que ia estourar. Miss Yu montou em cima de mim. Penetrei-a bem fundo e ela me cavalgou, gemendo com total abandono, como se estivesse morrendo. Nós dois gememos e gritamos de prazer. Miss Yu aconchegou sua cabeça no meu peito e soltou um suspiro profundo. Passei os dedos pelo seu cabelo e abracei-a com força. Depois de termos recuperado o fôlego, ela fez um movimento e murmurou: _Agora você é um homem. _Tem algum problema um aluno amar a sua professora? _Ja não sou mais sua professora. Ela me beijou com ternura. _Há muito tempo que amo você. Disse eu, acariciando seus seios. _Não queria que fosse embora. _Vamos meu amante, faça-me gritar de prazer novamente. As palavras que vinham de sua boca delicada me deixavam tonto. Fizemos amor mais uma vez e ainda com mais paixão. Nosso orgasmo foi tão prolongado que ela quase perdeu o trem. Vestimo-nos com rapidez, corremos para a plataforma e nos abraçamos. Ela subiu no vagão. O trem saiu da estação e sumiu dentro da noite. 
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