terça-feira, 16 de outubro de 2012

A MONTANHA E O RIO 27º CAPITULO 2ª PARTE:

SHENTO
ILHA NÚMERO NOVE
 
O coronel ia me dizer o que mudaria minha vida para sempre: _Você vai acompanhar o presidente à praia da Beidaihe, onde ele vai ficar uma semana de férias. _Vou cuidar da segurança pessoal do presidente? perguntei, extasiado. _Esta manifestação infantil não deve se repetir. O corornel franziu a testa. De agora em diante, como agente de segurança, você terá de viver de acordo com o nosso lema. E qual é o nosso lema? _Morrer pelo presidente sem nenhum momento de hesitação!
O trem particular do presidente Heng Tu saiu da cidade em disparada e eu fazia parte de sua comitiva. Sorri quando ele me dirigiu um aceno casual ao ser escoltado até seu vagão. Numa cerimônia inesperada, o coronel me levou a cabine presidencial e me apresentou ao grande homem. _Shento é seu novo soldado, meu presidente. Disse o coronel Pai, fazendo uma reverência. _Seja bem vindo, meu rapaz. De onde você vem? Inclinei bastante a cabeça, quase tocando os joelhos. _Venho de Jiushan, meu caro presidente. _Eu lhe agradeço por vir cuidar de minha segurança pessoal. Disse o presidente Heng Tu. _Você é um rapaz a moda antiga. Ele sorriu. _Acredito nos valores antigos e protegerei o senhor com minha própria vida. Sinto-me honrado por isso. O presidente assentiu e o coronel  Pai me levou para fora da cabine. Estava com a cabeça tão quente pela empolgação de conhecer Heng Tu pessoalmente que, na pia do banheiro, tive que jogar um punhado de água fria no rosto para me refrescar. O trem viajou por planícies de campos verdejantes. Surgiram então as montanhas do norte e o trem resfolegou, seguindo seu caminho através de vários túneis, movendo-se lentamente montanha acima. A equipe almoçou enquanto todo o gabinete do presidente, que também estava a bordo, reuniu-se no vagão central.
Uma montanha imensa apareceu no horizonte. O trem passou por um declive e desapareceu dentro de outro túnel. O comboio se arrastou silvando e finalmente parou. As luzes se apagaram. A escuridão e um calor sufocante envolveram o trem expresso e o cheiro desagradável que subiu dos trilhos invadiu minhas narinas. O instinto me disse para fazer alguma coisa. Quebrei a janela da minha cabine e pulei no chão escuro e pedregoso. Tirei uma pequena lanterna do bolso, mas não a acendi. Corri o mais silenciosamente que pude. Contando os vagões até chegar ao do presidente. Era o terceiro depois do meu, eu lembrava bem. Na escuridão, caí uma vez, arranhando o joelho. Levantei-me e corri novamente. Quando alcancei o terceiro carro, estilhacei a janela e atravessei a vidraça cheia de pontas e cacos de vidro. Numa das mãos eu segurava minha pistola. Na outra, a lanterna, que usei apenas uma vez para iluminar o rosto assustado do presidente. Agarrei o baixinho, coloquei-o no ombro e escapei pela porta. Alguns tiros foram disparados enquanto corríamos pelos trilhos dentro do túnel escuro. _O senhor está bem? Perguntei a ele. _Estou. Você é o novo rapaz que está na equipe? _Sou. _Obrigado. Disse Heng Tu, com dignidade, apesar da posição embaraçosa em que estava.
Corri ladeira abaixo seguindo os trilhos, com o presidente chacoalhando no ombro. Ouvimos mais tiros atrás de nós. Foi então que as luzes do trem se acenderam.
Pua o presidente no chão e fiz uma barreira com meu pr´prio corpo, enquanto ouvíamos passos que vinham em nossa direção. Era o coronel Pai. _O senhor está bem presidente? Perguntou o coronel apreensivo. _Estou bem. Nem um arranhão. Este rapaz me salvou. _Sr. presidente, temos que retornar ao trem. Disse o coronel. _Não! Não podemos voltar para lá! Objetei. _Obedeça as minhas ordens! Disse o coronel Pai ríspidamente. _Por favor, eu lhe peço... Disse eu, com meus pés firmemente cravados no chão.
No instante seguinte, ouviu-se uma forte explosão e uma bola defogo veio rolando a cauda do trem em nossa direção. Botei o presidente no ombro novamente, virei-me e corri na direção oposta. Se eu não saísse de lá rapidamente, uma segunda bomba poderia explodir e estaríamos mortos e soterrados sob os escombros. O teto do túnel rachou e grandes pedaços de pedra e alvenaria caíram sobre nós como uma chuva. O chão tremeu. o túnel estava ruindo. Corri ainda mais velozmente. O presidente gritava apavorado. _Vamos conseguir escapar. Disse eu, ofegante. _Vou levá-lo para um local seguro.
Após uma corrida exaustiva e infindável, vi uma luz no fim do túnel. Quando alcancei a boca, fiz ainda um esforço adicional, subindo um morro até um ponto onde pudesse ter uma boa visão da área. Deixei Hang Tu escondido atrás de uma rocha e corri os olhos pelo local. Vi um rastro de poeira que se levantava numa estrada na montanha. Dois carros disparavam ladeira abaixo, escapando do local do atentado.
O ataque tinha sido arquitetado pelos correligionários do general da Reserva Ding Long, segundo me disseram mais tarde. Nove soldados ficaram soterrados sob os escombros, dois ministros foram mortos a tiros e seus corpos foram encontrados carbonizados. O presidente teria sido o terceiro a morrer se eu não o tivesse levado para um local seguro._Como você previu o ataque? Perguntou o coronel Pai. _Fui criado nas montanhas. Respondi.
Sem nenhuma cerimônia especial, fui promovido ao posto de coronel e o presidente Heng Tu me condecorou com uma medalha de ouro por meu ato de heroísmo. _Meu filho, de agora em diante, quero que você fique no comando da minha segurança pessoal. Você aceita? _Claro que sim, Sr. presidente. Inclinei-me e fiz uma mesura demorada. _Será uma honra para mim. Quando disseram a Heng Tu que eu precisava de alguns fios de cabelo branco antes que meu nome pudesse ser cogitado para comandar a segurança da presidência, sua resposta foi sêca e direta. _Logo vão aparecer. Não se preocupem.
 
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SOS  AO MUNDO PELA VENEZUELA... Hoje meu post não é sobre reallytie, desculpem-me, hoje estou inteira solidária com a Venezuela...