segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A MONTANHA E O RIO 30º CAPÍTULO 1ª PARTE:

SHENTO
 
Eu tinha grande respeito pela peculiaridade e pela importância da minha missão como segurança do presidente, que era quase uma vocação sagrada, muito além do alarido do mundo empoeirado e em contínua transformação que ficava do outro lado dos muros vermelhos de Zhong Nai Hai. Estava atento a cada detalhe dessa missão, todos os dias do ano, todos os segundos do dia do presidente. Nada me escapava. Inspecionava cada ministro ou conselheiro que entrava ou saía pelo portão. Alguns reclamavam que eu tinha levado a palavra "segurança" um pouco longe demais. Mas sabia que, depois que o perigo entrasse pelos portões, poderia ser tarde demais. _Tem certeza de que não está exagerando? Perguntou-me, um dia, o presidente Hang Tu, enquanto caminhava pelos jardins. _O assassino mais perigoso é aquele que é seu amigo. _Você desconfia demais de todo mundo. _E o senhor desconfia muito pouco, preseidente.
Eu revia o filme sobre o assassinato de Kennedy uma vêz por mês para lembrar a mim mesmo que estava vivendo à beira de um precipício. Bastava um pequeno deslize e o presidente poderia morrer. Cada vêz que eu assistia ao filme, sentia arrepios descendo pela espinha. Jurei para mim mesmo que isso nunca aconteceria enquanto eu fosse o encarregado daquela função.
Criei uma rotina diária, provando as três refeições do presidente antes que êle as engerisse. Periódicamente efetuava sindicâncias sobre a vida pessoal e pregressa de cada membro da equipe de funcionários, mesmo que alguns estivessem lá  há anos. Em pouco tempo, fiquei conhecendo tudo detalhadamente. Sabia tudo sobre todos os amigos da equipe de funcionários e mesmo sobre seus parentes mais distantes. Nome, idade, ocupação, residência, relacionamentos, eu sabia de tudo. Certa vez, um auxiliar de jardineiro me informou que sairia mais cedo para o aniversário de sua sogra e eu disse: _A não ser que você tenha se casado novamente, sua sogra atual, dentista, nasceu há 55 anos e duas semanas. O rapaz ficou sem fala. _Mas não precisa cancelar o encontro com sua amante, aquela sua amiga de 27 anos, garçonete. _Não quero mais ir ao encontro, senhor. _Mas deveria, porque está demitido.
Considerei uma sorte estar a apenas alguns centímetros do presidente quando ele sofreu seu primeiro enfarte. Fiquei ao seu lado durante os três dias em que esteve no CTI, recusando-me a dormir um segundo que fosse. Ele estava com a aparência envelhecida e muito abatida e parecia ser ainda mais baixo do que já era. Quando finalmente despertou, eu lhe disse: _Eu lhe darei o meu coração se o senhor precisar. Heng Tu sorriu e afagou meu ombro. _Acho que não vai ser necessário. Pelo menos, ainda não.
Depois disso, colaborei com o médico pessoal do presidente para garantir o cumprimento da rígida dieta do velho senhor. E isso dava muito trabalho. O presidente era um trapaceiro. Certa vez, surpreendi-o à meia noite na cozinha, ajudando o cozinheiro a fritar galinha " kung pao!, seu prato favorito, muito gorduroso, típico de Sichuan, sua terra natal, onde todos gostam muito de comida apimentada. _Presidente, infelizmente não posso fazer o meu trabalho se o senhor não fizer a sua parte. Disse eu. _Deixe disso, meu filho. Já sou um homem idoso. Não tenho vontade de fazer dieta. _O senhor quer que eu siga as suas ordens? _Mas é claro que sim. _Bem, então, a ordem que o senhor me deu foi a de cuidar da sua segurança. Peguei a frigideira e despejei o conteúdo na lixeira. _Isso é o que eu chamo de obedecer as suas ordens. Observei. _Mas o que fez com o meu frango delicioso? Exclamou o presidente. _Seu coração não vai aguentar esse generoso punhado de sal que o seu cozinheiro acabou de adicionar. E a gordura que encharcava o seu frango ia entupir as suas veias como tufos de cabelo numa pia de banheiro. _Mas estou com fome. Essa comida sem gosto que vocês têm me dado está me matando! _Nada disso! Quem está matando o senhor é essa comida aí. Exijo que volte para o seu quarto. Vou levar um pouco de comida saudável para o senhor. Obrigado. Heng Tu saiu arrastando os pés como uma criança, enquanto eu dava uma bronca no cozinheiro. _Você vai matar o nosso presidente com essa comida, sabia disso?
O presidente fez um desvio, entrou na despensa e estava prestes a pegar um punhado de amendoins quando ouviu a minha voz novamente. _Isso também não é bom Sr. Tu. Eu disse que a comida já estava vindo.
Daquele dia em diante, Heng Tu conseguiu manter uma vida saudável. O país estava em desenvolvimento com a sua política de Portas Abertas e a economia crescia num rítmo de dois dígitos. Mais empregos foram criados nas empresas privadas e houve cortes nos empregos públicos. O povo vivia melhor. O mundo via nosso país-dinossauro dar a volta por cima e sair da lama em que esteve atolado por muitas décadas, durante o governo Mao. Heng Tu foi quem sacudiu o sistema e merecia todo o crédito por isso.
Em 1984, o presidente Reagan convidou Heng Tu para uma visita oficial. Foi quando viajei aos Estados Unidos pela primeira vez. Tinha enviado uma solicitação à CIA e ao FBI para que uma equipe de agentes chineses pudesse inspecionar a rota da visita de Heng Tu alguns meses antes da viagem. Meu pedido foi grosseiramente negado por um presunçoso funcionário do Ministério da Fazenda. Ele me explicou que, quando estadistas estrangeiros punham os pés em solo americano, estavam sob a proteção da CIA. Os agentes de segurança chineses não eram nada mais do que um adendo desnecessário ao serviço de segurança americano, que tinha grande conhecimento e experiência no assunto.
Não gostei da odéia de ficar em segundo plano. Então peguei um avião e fui para Washington e também para Dallas, como Adido Militar da Embaixada da China. Fui grosseiramente interceptado no Aeroporto Kennedy, em Nova York, pelo funcionário da Alfândega, que me disse para seguir uma estreita faixa vermelha pintada no chão até o escritório do Serviço de Imigração e Naturalização. _Por que? Perguntei com o auxílio de um intérprete. O funcionário do Serviço de Imigração, Sr. Smith, não deu a menor atenção ao viajante que falava chinês. Revistou minha bagagem, que era muito simples, inclinou a cabeça para o lado, tentando verificar a semelhança entre a foto do passaporte e o meu rosto. Franziu a testa, mastigando chiclete e fazendo bolas. _Qual é o problema? Perguntei. _Um momento! Isso aqui é a Alfândega. O senhor tem que ter paciência. Virou-se então para o intérprete. _Diga a ele para calar a boca ou eu o mando de volta para o lugar de onde veio.
Só depois de uma longa e demorada conversa por telefone com a Embaixada da China em Wshington, eles me deixaram passar pela Alfândega. Odiei minha experiência no aeroporto. As pessoas eram grosseiras e mal-educadas, o aeroporto estava superlotado e era sujo.
Minha estada em Washington não foi nem um pouco melhor. No banheiro de um restaurante chinês, fui confundido com um garçom. Um homem branco e bem vestido me deu dois dólares e me pediu uma toalha para enxugar as mãos. Quando percebeu que eu não entendia o que ele estava dizendo, puxou as duas notas de volta. _O serviço daqui é péssimo. Reclamou ao sair do banheiro. De fato, o serviço era péssimo, pensei com os meus botões, no vôo de volta para a China.
Uma semana depois, quando o presidente Heng Tu aterrisou na Base Aérea Andrews, em Washington, me coloquei nervosamente atrás dele. O presidente Reagan fez um discurso de boas vindas mas, assim que Heng Tu iniciou seu discurso de chegada, os manifestantes que estavam atrás do cordão de isolamento da polícia iniciaram um protesto. _Abaixo Heng Tu! _Abaixo Reagan, amigo dos comunas! _Abaixo o comunismo! _Libertem a China! Libertem o Tibet! Critiquei a CIA por permitir que isso acontecesse, a resposta ridícula do diretor foi: _Nossa Constituição permite protestos de acordo com a lei. Desde que os manifestantes se comportem, não há nada que se possa fazer com relação a isso. Isso se chama liberdade de expressão, sabia? _Mas estavam ofendendo o líder supremo da China. _E estavam ofendendo Reagan também. _Do que adianta ser presidente se o seu próprio povo pode falar com ele deste modo? _E de que adiantaria ser presidente se o seu próprio povo não pode falar com ele deste modo? Retrucou o diretor da CIA.
A próxima escala do presidente Heng Tu era Dallas. Não consegui dormir naquela noite. A simples menção a esse nome fazia meu estômago revirar e as imagens do filme do assassinato de Kennedy vinham imediatamente à minha cabeça. Eu quase sentia o gosto do sangue na minha boca.
O dia da visita de Heng Tu era um dia fresco de início de inverno. O sol brilhava e as ruas estavam cobertas de flores, exatamente como no dia em que JFK foi assassinado com uma bala na cabeça. Do mesmo modo, o presidente também vinha num cortejo de automóveis para um encontro com o governador. Eu havia organizado um círculo de proteção adicional, espalhando vários agentes chineses ao longo do percurso. Quase tive um ataque cardíaco, quando um manifestante jogou uma banana, que eu pensei que fosse uma granada de mão. Ao ver que meus homens não conseguiram agarrar a pessoa que jogou a banana, passei um sermão nos agentes posicionados naquele ponto até que eles irromperam em lágrimas e soluços. _Ppoderíamos ter voltado para casa sem o nosso presidente. É isso que vocês querem? Esbravejei. _Mas foi apenas uma banana.
Dei um tapa no rosto do soldado e fui embora intepestivamente. O resto da viagem correu sem problemas. Meu rosto saiu numa foto, bem atrás do presidente Heng Tu, que acenava para Reagan. A foto apareceu na capa da revista "Time", que elegeu o presidente Heng Tu como o homem do ano.
Meu nervosismo com relação a viagem aos Estados Unidos mal tinha passado quando o presidente me fez outro pedido impossível. Quando se aproximava o seu quinquagésimo sétimo aniversário, Heng Tu foi tomado por um desejo sentimental de visitar sua terra natal, a província de Sichuan, próxima ao Tibet. _As folhas caídas devem retornar às suas raízes. Me confidenciou o presidente. _Quanto mais velho fico, mais próximo de casa me sinto. _O seu desejo é a nossa missão Sr. presidente. Bati continência. _Ótimo. Nesta viagem, quero que você fique um pouco afastado da minha comitiva e se misture com a multidão, com o povo da província. Preste atenção ao que dizem. Descubra o que estão pensando e o que estão comentando e me informe sobre isso diretamente. Quero saber a verdade que vai refletir a realidade. _Mas o senhor está cercado de conselheiros e ministros. _É exatamente este o motivo pelo qual estou lhe pedindo isso. Eles nunca me dizem a verdade.
No primeiro dia de viagem, o presidente quebrou todas as regras que eu havia elaborado para ele. Mandou o chofér parar onde ele queria e andou desprotegido por entre a multidão que o aclamava, apertando a mão dos habitantes do povoado, que conheciam sua familia há muitas gerações. Estava feliz e sorria, com lágrimas nos olhos. As pessoas se aproximavam dele e lhe desejavam felicidades. Às vezes, o homenzinho se perdia completamente no meio da aglomeração.
No terceiro dia, sugeri que a visita do presidente à sepultura dos seus antepassados fosse cancelada. _Por que? Indagou ele. _Porque não é seguro. _Preciso prestar uma homenagem ao meu pai e ao pai do meu pai. Deixe-me fazer isso. Se consegui sobreviver aquela viagem aos Estados Unidos, vou me sair bem aqui. Estou cercado pelo meu próprio povo. _Sr. presidente, tenho agentes secretos indicando que há problemas. Disse eu, mostrando uma folha de papel. _Que tipo de problemas? _Ameaças de morte. _Pois vou provar a voce que não passam de ameaças. _Por favor, presidente, o senhor estará se arriscando seriamente. _Tenho que visitar as sepulturas. _Já que é tão importante assim, que tal mudarmos o horário da visita? _Não, o nascer do sol é o horário tradicional para visitar os mortos. Quando o sol se põe, eles retornam a escuridão. Não posso mudar isso. Fiquei preocupado por um momento, mas depois cedi. _Se é assim tão importante, vou me encarregar pessoalmente da visita para fazer com que tudo ocorra na mais perfeita segurança para o senhor.
O cemitério era impressionante. Apesar de eu saber pouco sobre "feng shui", conseguia sentir a beleza do local ao ver o sol nascente pegando fogo no horizonte perfeito. Uma montanha verdejante ficava atrás da sepultura, fornecendo um escudo às costas dos visitantes. A sepultura ficava de frente para o leste, captando o fluxo do bom "feng", vento. O local ficava acima de um grande lago cheio até a borda com água resplandecente, fornecendo o elemento "shui", água, indicando perpétua abundância. Quando o sol irrompeu ao leste, através da névoa matinal, formou-se um cenário de pura magia.
A ameaça tinha sido enviada por escrito dois dias antes. Nada de específico, mas era preocupante o suficiente. Meus homens tinham vasculhado e esquadrinhado cada centímetro do terreno em torno das sepulturas, que estava tomado pelas flores silvestres e arbustos espinhosos e encontraram apenas os habituais e previsíveis sapos e cobras de jardim.
Uma multidão aguardava o visitante, mas o povo foi mantido a uma distância de sessenta metros da sepultura onde o presidente iria se ajoelhar diante de seus antepassados. Quando ele chegou, falou com as pessoas e acenou para a multidão. De repente, ouviram-se gritos entre o povo que lhe desejava felicidade. Meus homens pularam no meio da multidão em pânico enquanto mantive minha posição, próximo a Heng Tu. Fui informado de que um dos habitantes da aldeia estava tendo uma convulsão e sofria muito, pois havia mordido a língua e estava sangrando. _Não estou acreditando nisso! Fiquem todos atentos! Sob nenhum pretexto, repito, em nenhuma circunstância abandonem suas posições! Bradei no meu "walkie-talkie". _Precisamos de um médico. Podemos pedir ao médico do presidente para vir socorrê-lo? Perguntou um dos agentes. _De jeito nenhum. _E por que não? Indagou Heng Tu. _Isso é uma ordem! Disse eu com firmeza. _Tragam a limosine! Vamos interromper a operação. _Socorra-o! Exigiu Heng Tu. _Shento, ajude-o! Este é o meu povo. _Temos que retornar ao seu carro imediatamente. _Não, ainda não me ajoelhei. E temos que ajudar este homem que está passando mal. _Não podemos fazer isso. Temos que abandonar o local imediatamente.
O cemitério estava um caos. Meus homens ficaram perturbados com o alvoroço. Heng Tu não estava recebendo cobertura. O medo tomou conta de mim enquanto meus olhos vasculhavam toda a área à direita e à esquerda.
O presidente escapou à minha vigilância, puxou seu médico e correu até o homem doente. _Não! Gritei, arrastando Heng Tu de volta, enquanto dava ordens a um outro agente: _Soldado ajude-me! Tire o presidente daqui!
Ao levarmos rapidamente o velho que esperneava para longe da multidão, ouviu-se uma forte explosão atrás de nós. As pessoas gritavam. Empurrei o presidente para dentro do carro e dei ordens ao motorista para que descesse a toda velocidade pela acidentada estrada de terra. Xinguei em voz baixa enquanto cobria Heng Tu com meu corpo, temendo que o susto pudesse provocar outro enfarte. Pelo walkie-talkie, fui informado de que tinha perdido dez dos meus melhores homens. O homem que supostamente estava passando mal era, na verdade, um homem bomba que explodiu em pedaços. Comuniquei ao presidente. _Mais uma missão cumprida. _Meu filho, eu deveria sempre dar ouvidos a você. Disse Heng Tu, segurando no meu ombro.
Disfarçado de trabalhador itinerante, retornei mais tarde e misturei-me aos lavradores pobres que haviam migrado para as cidades. O que descobri me afetou profundamente. Famílias que desejavam ter filhos homens abandonavam ou vendiam as filhas mulheres para a prostituição e os lavradores mal tinham o suficiente para comer. O milagre capitalista recaía apenas sobre algumas poucas pessoas. Mendigos e órfãos se espalhavam por toda a região das montanhas. O mais perturbador eram as centenas de milhares de veteranos do Exército que vagavam por todos os vilarejos e povoados, invadindo as cidades que ficavam congestionadas, depois de terem sido dispensados de sua função por causa da drástica redução de contingente. Como não tinham nenhuma outra qualificação, estavam perdidos e indignados. Bebiam, jogavam, estimulavam a prostituição e estavam prontos para uma rebelião. O homem-bomba era um deles, um pequeno detalhe que escondi do presidente ainda convalescente.
Meu relatório sobre o povo da cidade de Chengdu logo chegou a mesa de Heng Tu. O velho revolucionário, que vinha de uma família pobre de lavradores e tinha sempre visto a si mesmo como o líder do povo, chorou amargamente. Suas lágrimas borraram as palavras. _Meu filho, obrigado por ter me contado a verdade. Alguma coisa vai ser feita com relação a isso. Agora, voce precisa desempenhar uma outra função. Vai ficar no comando de uma operação de reorganização do Exército. Vejo que é solidário com eles. Quero que fiquem felizes, porque sem eles não sou nada, e a republica pode desmoronar. _Mas quem vai cuidar da sua segurança? _Outra pessoa pode desempenhar esta função. Você tem que fazer alguma coisa maior do que isso, um trabalho mais abrangente, meu filho. _Mas eu não confiaria a sua vida a mais ninguém a não ser a mim mesmo. _Ninguém teria a coragem de discutir comigo, a não ser você e gosto disso. É exatamente por isso que estou querendo que execute o trabalho mais importante que alguém poderia fazer por mim. Você é como se fosse a minha represa. Eu preciso de você para conter a inundação. Ele fez uma pausa. _Quero ouvir todos os detalhes do que descobrir, as soluções que tiver para me apontar e a lógica que existe por trás delas. _Entendo perfeitamente, Sr. presidente. _Seu novo cargo será o de assistente especial do comandante-em-chefe, que sou eu.
 
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