sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A MONTANHA E O RIO 37º CAPITULO:

TAN
 
 Aluguei o luxuoso salão de refeições do Hotel Beijing e contratei a orquestra de câmara para tocar na sala decorada para o evento com renas. Papai Noel e imitação de neve. Haveria um banquete no salão contíguo. Champanhe francês foi contrabandeado de Hong-Kong,  o salmão de Shandong nadava nos aquários do hotel e os caranguejos de Fujian rastejavam com suas patas grossas e suculentas. Havia também de zhou pa ji, tenras galinhas assadas, cada uma pesando não mais do que meio quilo.
O editor Fei-Fei, com um surpreendente talento de epicurista, orquestrou todo o evento. A lista de convidados, outra trabalhosa mas necessária atribuição de Fei-Fei, parecia uma relação de "Quem-é-Quem" em Beijing: homens de negócios, altos funcionários, artistas, atores, escritores e alguns oficiais do Exército. Alguns eu conhecia, outros não.
_Você precisa conhecê-los. Insistiu Fei-Fei. _Mas isso é ridículo. Alguns deles são como fogo e água. Não deviam estar juntos. _Você vai ficar maravilhado com o que dois drinques pode fazer com um homem. Disse Fei-Fei. Também convidamos funcionários da Secretaria de Planejamento Urbano. Eu não ficaria surpreso se o seu projeto do Dragon Center fosse aprovado aqui mesmo, hoje a noite. _Faça figa e não beba demais. Vou precisar de você pelo resto da noite. _E quem é que vai buscar a futura noiva surpreendida em Tianjin? Perguntou ele. _Você. _Eu, tudo eu? Onde está o seu diretor executivo, Mike Blake? _Ajudando os arquitetos com os toques finais da apresentação do Dragon Center. Além do mais, Sumi é sua escritora. Ele cedeu. _Tudo bem. _Você vai sair as cinco da tarde de helicóptero. Ela vai ficar presa no Hotel em Tiajin o dia inteiro, preparando uma festa para os órfãos. O vôo leva cinquenta minutos. Esteja com ela aqui as oito. Isso dará tempo para ela ficar surpresa, se vestir e casar comigo por volta das nove. _Parece ótimo, mas o que você vai fazer com aquelas pobres crianças? _Traga-as. Aluguei um avião cargueiro militar com este propósito. Eles são muito especiais para Sumi. Ela não virá sem eles. _Só você para conseguir armar uma coisa dessas... _Isso é um elogio, suponho. _Não, uma crítica. Convidar órfãos para o seu casamento... Nós nos abraçamos e Fei-Fei agarrou meu braço. _Cuide bem dela, é minha escritora predileta. Eu posso  ascender e decair com ela. _Eu também. Disse eu. Balançamos a cabeça em sinal de mútua compreesão.
Minha família veio logo cedo no dia do meu casamento. Eu os sentei na minha sala de estar e lhes prestei minhas homenagens, cumprindo o ritual de passagem de menino para adulto. Pela última vez, como quando eu era garoto, mamãe lavou meu rosto com uma toalha, papai penteou meu cabelo e vovô fez minha barba. Então, preparei para cada um deles, uma xícara de chá e as servi com uma reverência profunda. O menino estava crescido e eu agora estava pronto para ter a minha própria família.
Mamãe chorou, dizendo que nunca mais teria posto os pés na cidade que nos rejeitou, se não fosse por esse meu dia especial. Ela evitou mencionar o nome de Sumi, mas pareceu ter acatado minha decisão. Eu tinha certeza de que ela choraria de alegria quando Sumi e eu finalmente estivéssemos casados. Papai iria sorrir e vovô desejaria em voz alta que gerássemos um bando de dragõezinhos para correr em volta dele e puxar suas orelhas e sua barbicha. Como bisavô, ele ficaria ainda mais entusiasmado ao ensinar aos seus bisnetos o valor dos juros compostos do Índice Dow Jones.
Tudo ficaria bem quando chegasse a noite. No meu caminho até o hotel, disse a palavra "esposa" cuidadosamente, como se prevasse uma receita desconhecida. Balancei a cabeça, apreciando o sabor e repeti a palavra, sorrindo. Esposa, ela é e marido eu serei.  Meu coração palpitou com uma imensa gratidão, enquanto eu entrava no meu quarto de hotel para me preparar para a noite. Olhei o relógio. Quatro da tarde. Daqui a cinco horas, alcançaríamos um outro marco em nossa vida.
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