sábado, 10 de novembro de 2012

A MONTANHA E O RIO 38 CAPÍTULO:

SHENTO

Meu relógio de pulso marcava quatro horas. Franzi a testa quando vi a poeira que rodopiava enquanto o helicoptero aterrissava no heliponto da Base Naval de Tianjin. A água do mar se agitou quando as hélices rodopiaram no ar. Um oficial da marinha indicou nossa posição com sua bandeira sinalizadora e o helicóptero pousou bem no centro de um círculo pintado. _Para o Hotel de Tianjin, oficial. Ordenei ao motorista, após saltar do helicóptero e entrar no jipe que me esperava. _Sim, coronel. O motorista acelerou o veículo e saiu disparado do estacionamento, rumo ás estradas pavimentadas da cidade. Enquanto a cidade passava por mim voando, peguei o telefone celular do jipe. _Já estou em terra firme, agora. Quero ser informado sobre o que está ocorrendo, por favor. _Nossos homens estão em todos os andares do hotel. Todas as saídas estão bloqueadas. As crianças estão comendo e cantando. _O que ela está fazendo? A ligação ficou cheia de ruídos. _Alô? Não estou ouvindo. _Coronel, é a ponte pela qual estamos passando. Disse o motorista. _Estou ouvindo novamente. Disse a voz ao telefone. _O que ela está fazendo? Perguntei mais uma vez. _O alvo está falando com um menino e servindo mais comida a ele. Por falar nisso, é uma cabeça de peixe, coronel. _Estarei ai dentro de poucos minutos e iniciaremos a operação. Não a deixe escapar. _Claro que não coronel.
Fui levado a central de comando da operação, situada no segundo andar de um prédio de escritórios em frente ao hotel onde Sumi estava hospedada. Silenciosamente, peguei o binóculo do meu jovem general de Tianjin e respirei fundo. A vida parou naquele momento. Senti-me como um floco de nuvem, flutuando, sem raízes, sonhando. Minha cabeça estava quente, minha mente, confusa. Meus olhos a procuravam avidamente. Então eu a vi e prendi a respiração. A cascata dos seus cabelos, a face do amor e da beleza, seu corpo, um pouco mais cheio agora e aquele sorriso. O aroma de Fujian voltou a mim. Sua fragrância não saia do meu pensamento. Senti-me enlevado por ela. Minha mente ficou vazia por um segundo. Continuei olhando, implorando silenciosamente que ela olhasse para mim.
Ela riu, serviu mais comida, acariciou as crianças e virou-se de costas para mim, continuando o que estava fazendo. De repente, parou, franziu a testa e olhou para cima. Olhou em volta. Subitamente alerta, olhou diretamente para as lentes do meu binóculo. _Peguem-na agora. Ordenei ao meu homem num murmúrio sem muita firmeza.
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