segunda-feira, 22 de abril de 2013

EU VIAJEI E CONHECI O OUTRO LADO DA VIDA...
 
 
Acordei cedo, nessa segunda-feira, 15/04, tomei meu banho e meu café e fui para o dentista, aliás, ninguém merece, essa visita no primeiro dia da semana... Mal presságio? Nem imaginava isso e meio de mal humor fui cumprir minha obrigação odontológica!
 
Estava me sentindo meio esquisita, náo saberia detectar exatamente o motivo, mas algo estava estranho. Atribuí a sensação de mal estar ao dentista, jurava que meu psicológico estava se reunindo com meu emocional e meus neurônios e promovendo suas primeiras manifestações de protesto, numa passeata silenciosa, contra meu pânico por dentistas... Hoje, afirmo, nada somos e nada sabemos...
Comentei com minha filha que estava me sentindo mal, estranha, mais ou menos no meio da tarde, em 15 minutos, ela largou tudo e estava lá em casa e me falou de uma forma incontestável, com a autoridade sublime do amor _Mãe, se arruma, vou te levar ao hospital, nada de ficar me embromando que vai marcar consulta com seu médico... Contestei, claro, sempre me gabei de minha boa saúde. Minha filha foi contundente, não me deixou espaço para argumentos. Fui e só depois soubemos que ali,
 ela salvou minha vida!
 
Ao chegar ao Copa Dor, comecei a ter uma hemorragia irracional, mortal, silenciosa e abundante, uma hemorragia interna...Chegou meu fiel e amado marido, o anjo que Deus me emprestou aqui na terra, quase incontrolável, estava literalmente nas mãos do acaso, que agora, afirmo que era em todos os instantes DEUS. Ele foi o grande juiz e Ele, apenas Ele, pode decidir se eu atravessaria ou não a porta dourada, que na minha inconsciência visualizava, ou se voltaria para ficar com vocês e com a família linda que tenho.
 
Os procedimentos a seguir foram dolorosos para meus familiares, pois foram informados que estava em alto risco e o estado era gravíssimo...
 
Fui para a emergência porque os leitos do CTI estavam ocupados e imediatamente, fui, numa ambulância transferida para outra unidade da mesma rede, para o CTI.
 
Há 28 anos, fiz uma transfusão de sangue e antes de 1990 o controle não era tão eficiente como agora. Adquiri o vírus da hepatite C, que ficou sorrateiramente adormecido, como poderia ficar a vida inteira, mas de repente, como um monstro ele se levantou estourando as artérias de meu esôfago, que hoje, após a cirurgia, foram substituídas por borrachinhas e posteriormente, em outra cirurgia levará uns anéis, tipo uns grampos para segurar. Santas borrachinhas, que me trouxeram a vida de novo... Fiquei 3 dias no CTI, em que 2 deles foram quase uma despedida, mas eu estava inconsciente, como me despedir? Via apenas 1 lugar muito bonito e a porta dourada, que por decisão de meu Deus todo Poderoso, não cheguei a atravessar... Não, eu não vi Deus, mas sei que Ele estava ali...Não me lembro das feições das pessoas que estavam ali, comigo, mas sei que eram do bem, porque era tudo muito lindo, eu em nenhum momento senti medo.
Escutei barulhos familiares, sons muito amados, como a voz de meus filhos e do meu marido. Senti muito forte o calor e o cheirinho gostoso de minha filha, que não desgrudou de mim um minuto, depois vim a saber. Acordei. _Ai mãezinha graças a Deus! Parece um milagre você estar acordada...Pensei que ia nos deixar, que susto mamãe... Meu Deus! Por que o som da palavra "mamãe", naquele momento me lembrava o Edem? Refrigerava minha alma...Sim meus valores estavam todos revistos e alterados, dava tanto valor a tudo! Entendi que meu prazo de validade ainda tinha um tempo...
 
Agora compreendo como somos mínimos perante a grandeza do limite da vida e da morte e da eternidade como um todo. Temos conceitos e valores tão equivocados! Nada somos, apenas espectadores e atores atuantes ou não da jornada que nos foi conferida, a Vida, mas ela é tão frágil, somos tão miseravelmente vulneráveis, tão rasos, para que tanta competição? Tanto ódio? Eu não quero isso para mim. Eu não vi Deus, não vi anjos, não vi santos, mas estive lá e lá me foi dado a consciência da misericórdia e de amor ao meu próximo.
 
Daqui para frente, nada mais importa, , apenas meus amigos e minha família e a necessidade vital de me pronunciar socialmente, não ser apenas uma receptora de privilégios materiais que a vida me deu, repassar, dividir, ajudar... Quero ajudar um orfanato, um asilo, quero ler para os ceguinhos, quero contribuir para o hospital do câncer, sei lá, sei que algo será feito... Não sou melhor ou pior que ninguém, apenas querendo exercer o mais difícil de todos os mandamentos das Escrituras, o amor ao próximo! Não o amor óbvio de quem também te ama, mas o amor vivo de amar justamente a quem não lhe ama... A quem profere calúnias a sua pessoa injustamente, a quem a inveja, a quem põe o pé para você tropeçar, na certeza que não é um tropeço e sim um abraço de Deus. Quero ter mais solidariedade com meu próximo, compaixão para os esquecidos. Como? Não sei ainda, mas quem conheceu o limite da travessia de nossa passagem, sabe que não vale a pena viver sem se doar...Daqui a 15 dias vou passar por outra cirurgia, consigo ser feliz com o sentimento de desapego material, sinto tanto amor dentro de mim! Sinto vontade de abraçar os esquecidos pela sorte, adotar uma criança e garantir que tenha uma vida melhor, fazer os dias de um velhinho terem um colorido especial...
 
Obrigada Senhor! Estou me superando, pulei a fogueira dos bravos, a fogueira ameaçadora da morte e não a temo mais, consigo sentir contornos palpáveis de amor vivo, latente, pelo meu próximo, totalmente distanciado de teorias, consigo, de fato, entender o perdão e o amor, dei um bico na cara do diabo, me sinto acarinhada por Deus, nada temo, me sinto testada e pronta para ultrapassar limites, para olhar com amor a quem não me quer bem, a quem me calunia e trama contra minha pessoa, consigo, como uma loba sentir o faro do traidor e por ele só tenho misericórdia, estou lavada, não existe ódio no meu coração.
 



Ainda no hospital, consegui acionar o Twitter pelo telefone, mas desmoronei, a emoção foi tão grande que caí em prantos ao ver as espanholas queridas, as Kamilletes, e muitas amigas queridas, até quem não é amigo, mas se juntou num espírito de amor e usavam a hastag  #ForçaBeth... Esse foi um dos momentos mais fortes, porque me senti amada... Aos que me citaram e também aos que apenas perguntaram, quero agradecer de verdade! Se tiver esquecido alguém, me desculpem...
OBRIGADA:
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